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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Capital do Automóvel está à beira do colapso

Os holofotes sob o Salão de Detroit escondem a situação crítica da economia local – mas a esperança vem da indústria automobilística


Nem tudo são flores em Detroit. O motorshow que se estende até o dia 22 de janeiro no coração da indústria automobilística dos Estados Unidos esconde a verdadeira situação econômica da cidade, a maior do estado do Michigan. O berço das três maiores montadoras americanas – General Motors, Ford e Chrysler – está à beira do colapso financeiro, com 40% de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza. Ou seja, dos cerca de 700 mil habitantes de Detroit, mais de 250 mil sobrevivem com US$ 475 por mês.


Detroit, conhecida nos EUA como a Capital do Automóvel e também como a Cidade do Rock (graças a uma música da banda Kiss), passou por um fenômeno curioso nas últimas décadas. Sua população foi drasticamente reduzida. Eram 2 milhões de pessoas nos anos 1950 – com quase 200 mil habitantes empregados na indústria automobilística. Em 2010, o censo norte-americano registrou exatos 713.777 habitantes. O problema é que a área da cidade continuou a mesma, com dimensões semelhantes a São Francisco ou Boston.

Por isso, a cidade se transformou num cenário de abandono. Falta dinheiro para serviços básicos como iluminação pública ou coleta de lixo. Os habitantes de maior poder aquisitivo se mudaram e atualmente cerca de 80% da população é afrodescendente – assim como no Brasil, com menos condições financeiras, por causa das injustiças históricas. Com uma dívida de mais de US$ 12 bilhões, Detroit se tornou um lugar obscuro, repleto de casas abandonadas e terrenos baldios – 30% das habitações estão desocupadas –, à mercê da displicência do poder público. Além disso, sustenta um dos maiores índices de criminalidade dos EUA.

O mais curioso é que, na Capital do Automóvel, a maioria da população não pode comprar um carro. E o sistema de transporte público é caótico. A frota de ônibus foi reduzida em um terço em 2006 e cerca de 15 mil passageiros sofrem com esperas intermináveis. Diferente de outras cidades dos EUA com transporte modelo, o sistema de ônibus de Detroit não tem prazos estipulados ou tabela de horários.

Há esperança para Detroit? A vida política da cidade é um fiasco, com políticos que não conseguem levar adiante programas de revitalização. Mas se há chance de alterar esse contexto pessimista, ela certamente está relacionada à indústria automobilística. O crescimento de produção e vendas de GM, Ford e Chrysler significa mais contratações. Profissionais especializados, como engenheiros e técnicos, pagam mais impostos e podem contribuir para que a cidade seja novamente ocupada. Agora é esperar para ver se o futuro reserva algo menos ingrato que o cenário pré-apocalíptico mostrado pelo filme “RoboCop” nos anos 1980.


Fonte disponível no(a): MotorDream.uol.com.br

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