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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vendas de carros importados cresceram 87,4% em 2011

Para 2012, as empresas filiadas à Abeiva preveem uma queda de 20%


Confirmando mais uma vez o bom momento que a indústria automotiva brasileira vive nos últimos tempos, a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) divulgou os dados de fechamento das vendas em 2011. De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (11), a entidade registrou um crescimento de 87,4% em relação ao desempenho de 2010. Foram emplacados 199.366 veículos contra 106.360 do ano anterior.


Ao isolar somente o desempenho das vendas em dezembro do ano passado, os dados de emplacamento da Abeiva indicaram crescimento de 26,8% em relação ao mês de novembro. Foram 19.151 unidades contra 15.098. Ante o mês de dezembro de 2010, a alta foi de 42% (19.151 contra 13.487 unidades). Segundo o representante da associação, os bons números são um reflexo do aumento de produtos disponíveis no Brasil, marcado principalmente pela chegada dos chineses. “O avanço das associadas à Abeiva se justifica por conta da chegada das novas marcas, que passaram a oferecer aos consumidores brasileiros produtos completos, com mais tecnologia e design. E, assim, conquistaram os brasileiros”, analisa José Luiz Gandini, presidente da Abeiva.

Em janeiro de 2011, as associadas à entidade contavam com 566 concessionárias, o equivalente a cerca de 22 mil empregos diretos. No encerramento do ano, esse número alcançou 912 pontos de atendimento e próximo a 36 mil postos de trabalho.

Guerra do IPI

Mesmo com o real crescimento apresentado pela entidade, a Abeiva prefere manter o discurso que enfatiza os efeitos provocados pelo aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados e que mexeu no resultado divulgado. Segundo a entidade, mesmo com o decreto apresentado em setembro (e que entrou em vigor pra valer em dezembro último), as montadoras chamadas de “indústria nacional” ainda respondem pela maioria dos carros importados. Ao considerar somente este segmento, as associadas da anotaram participação de 23,35% em 2011, enquanto as empresas com fábricas instaladas no país responderam por 76,65%, o equivalente a 654.363 unidades emplacadas no ano.

Na avaliação de Gandini, as novas medidas adotadas pelo governo são indiferentes, uma vez que não mudou praticamente nada no cenário automotivo nacional. “Está tudo muito cristalino. As montadoras deixaram de investir em inovação. Oferecem aos consumidores brasileiros produtos ultrapassados. Diante dessa realidade, nós importadores não temos culpa. É a lei do mercado. Por isso, discordamos frontalmente do inconstitucional Decreto 7.567. O governo brasileiro deveria, como indicava o programa Brasil Maior, ter reduzido a alíquota do IPI para as montadoras que efetivamente investissem em tecnologia, de modo a recuperar terreno perdido. Não o contrário. Sobretaxar os importados, fora do Mercosul e do México, além de inconstitucional, foi uma insensatez”, argumenta o presidente da Abeiva.

Outro fator que influenciou foi uma redução nos investimentos por parte de outros envolvidos com o segmento de importados. De acordo com uma pesquisa realizada pela própria Abeiva, havia uma previsão de fechar 2011 com 1.092 concessionárias das marcas associadas como um todo. Mas, vários grupos empresariais decidiram adiar a abertura de suas lojas (como já foi falado, a entidade encerrou o ano com 912 pontos de vendas). Já a meta de recolhimento de impostos foi cumprida em 2011, com cerca de R$ 6,5 bilhões destinados aos cofres públicos.

Perspectivas para 2012

Mesmo com a boa maré vivida pela economia brasileira, às projeções iniciais para o ano de 2012 não são as melhores. Influenciados pelas mudanças nas regras de importação de veículos e pela alta do dólar, causada pela crise que atinge os países da chamada Zona do Euro, o presidente da Abeiva, José Luiz Gandini, acredita que o setor de importação de veículos automotores, exceto Mercosul e México, irá sofrer uma queda aproximada de 20%.

“Nossas primeiras estimativas são de 160 mil unidades para 2012. E, se a projeção do mercado é crescer de 4% a 5%, chegando a 3,6 milhões de unidades emplacadas, nossa participação será de 4,5%”, argumenta. “Com o imposto de importação máximo acordado pela OMC de 35%, um dos mais elevados do mundo, com a alíquota do IPI diferenciada em 30 pontos percentuais e mais a variação cambial, 2012 será um ano muito difícil aos associados da Abeiva”, conclui Gandini.

Fonte disponível no(a): Carsale.uol.com.br

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